A obesidade é uma doença que vem crescendo cada vez mais entre a população do mundo todo. O distúrbio é origem de inúmeras doenças graves, como diabetes e hipertensão. Além dessas condições mais frequentes, também pode ser responsável por outros danos à saúde, como a infertilidade.
O risco de infertilidade atinge homens e mulheres, crescendo conforme o grau de obesidade. O ovário policístico também tem na obesidade uma de suas causas principais. A baixa contagem da produção de sêmen, igualmente, está associada ao excesso de peso.
A relação entre a fertilidade e a obesidade
Há séculos já se atrelava a infertilidade à obesidade, inicialmente com estudos do homem e sua baixa produção de espermatozoide pelo excesso de peso. Hoje, pelo alto crescimento do número de obesos no mundo, a infertilidade voltou a se tornar um fator preocupante.
Homem e mulher detêm, cada um, 50% da responsabilidade pela infertilidade do casal. Em casais com o peso ideal e em idade reprodutiva, a cada seis, um apresenta algum tipo de infertilidade, mas esses números sobem para três a cada seis, quando um dos pares é obeso, independentemente da etnia e da condição social.
O estudo focado na consequência da obesidade para a infertilidade tem sido cada vez mais aprimorado. Enquanto a obesidade está relacionada no homem à sua baixa produção de espermatozoide, que diminui à medida que o peso aumenta, nas mulheres sua principal consequência é o surgimento da síndrome de ovários policísticos.
A síndrome do ovário policístico causa baixa na produção de hormônios e, consequentemente, dificulta o amadurecimento dos óvulos. A menstruação vai se tornando cada vez mais irregular até falhar por meses. Também acelera o desenvolvimento do diabetes tipo 2, que causa resistência do organismo à insulina.
A obesidade provoca também a hipertensão, doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e disfunções hormonais diversas, sempre atreladas à quantidade de gordura corporal.
Além das doenças relacionadas à obesidade, ela também pode prejudicar tratamentos de fertilização in vitro. O motivo é a dificuldade para implantar o embrião no útero, diminuindo significativamente as chances de concepção. Também amplia a incidência de abortos espontâneos.
Como tratar?
O peso ideal, hoje, é calculado por uma média entre o peso e a altura da pessoa, obtido pelo Índice de Massa Corporal (IMC). A partir de uma classificação prévia, o médico pode direcionar para determinado tratamento, inclusive a cirurgia bariátrica, assim como identificar as doenças correlacionadas de acordo com o índice.
Para encontrar esse valor, é só dividir o peso pela altura ao quadrado (IMC = peso/altura²). Se o índice encontrado for 20, a pessoa está abaixo do peso ideal, de 20 a 24,9 está no ideal, de 25 a 29,9 com sobrepeso, de 30 a 39,9 são obesas e acima de 40 estão em obesidade mórbida.
A influência da obesidade na fertilidade não é só pela baixa qualidade da alimentação, mas pelos efeitos internos que causa. Fatores ambientais, econômicos e sociais podem aumentar as chances de se desenvolver a doença, assim como os hábitos cotidianos e a forma que o organismo metaboliza. Com a sobrecarga do organismo pela obesidade, o corpo cede a inúmeras doenças.
O tratamento para infertilidade associada à obesidade é a perda de peso. É preciso modificar os hábitos, valorizar alimentos mais ricos em nutrientes e fazer atividades físicas, para que o peso diminua consideravelmente. Uma perda de 10% do peso já causa efeitos bastante positivos para a fertilidade.
É preciso constante acompanhamento de uma equipe multidisciplinar com endocrinologista, ginecologista, psicólogo e nutricionista, e cada ponto será devidamente trabalhado.
Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como ginecologista em São Paulo.
