Até pouco tempo o Ministério da Saúde considerava doenças como a sífilis e a gonorreia como controladas, se manifestando apenas em alguns setores da sociedade e em constante queda de pacientes. Mas, o quadro inverteu drasticamente, com um aumento significativo de casos anualmente.
O crescimento é mundial e um dos motivos é o fato das doenças sexualmente transmissíveis (DST) terem virado um tabu, e pouco se fala sobre elas. Apesar de todo o acesso rápido a informações, os jovens vêm iniciando suas vidas sexuais sem proteção e consequentemente, fazem parte das estatísticas de contaminação.
O aumento assustador das DST
No Brasil, só casos de HIV e sífilis em gestantes são obrigatoriamente notificados ao Ministério da Saúde, o que dificulta conhecer o crescimento de outras doenças. A sífilis, por exemplo, numa contagem superficial da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, indica um aumento de 603% dos casos no período de apenas seis anos. E Estados mais distantes como o Acre e o Pará encabeçam a lista de sua maior incidência proporcional.
A facilidade de realizar exames e o acesso mais rápido ao tratamento tem deixando as pessoas mais relapsas sobre a prevenção. Como o caso do vírus da AIDS, que teve uma grande queda de crescimento no início do século XXI, para retornar com uma velocidade assustadora na atual década. Mesmo sem cura, a doença não é mais devastadora como na década de 80 e é possível conviver com ela normalmente. Assim, muitos pacientes não sabem que possuem o vírus e se tornam potenciais transmissores.
Sintomas como verrugas, lesões, alterações de textura e corrimentos são sinais de uma DST, que pode aparecer em qualquer pessoa que faz sexo sem proteção de camisinha e não em promiscuidade, como o mito que foi criado. Até mesmo alguém que vai perder a virgindade e ter sua primeira relação sexual, pode contrair uma doença se não se precaver.
As doenças venéreas mais comuns
Saiba mais sobre as seis doenças venéreas mais comuns no Brasil e seus principais sintomas:
HIV/AIDS
A AIDS é causada pelo vírus da imunodeficiência humana e transmitida através de uma relação sexual sem camisinha ou pelo contato com sangue infectado. Muitas pessoas com o vírus não apresentam nenhum sintoma e os que apresentam podem ser confundidos com uma gripe forte.
Os sintomas mais comuns são sensação de cansaço, febre e suor noturno, feridas nos genitais, ânus e boca, tosse seca, pele com lesões e feridas, dor de cabeça e rápida perda de peso. Não há cura e quando os sintomas surgem é preciso ministrar um conjunto de remédios para controlar a doença.
Sífilis
A doença é transmitida pela bactéria Treponema pallidum unicamente por relações sexuais ou em mães grávidas contaminadas que repassam para o bebê. E é essa sífilis congênita a única que é obrigatoriamente informada ao Ministério da Saúde.
Ela passa por três estágios e os primeiros sintomas surgem cerca de 40 dias após o contágio. Na primeira fase surgem feridas na região genital ou na boca e as primeiras manchas no corpo. Em seguida, na segunda fase, há uma espécie de alergia. A terceira fase é quando a doença provoca lesões neurológicas, cardiovasculares e pode levar a morte. Os sintomas da terceira fase são febre, perda de cabelos, perda de visão, garganta dolorida, cansaço, perda de peso, dor de cabeça e feridas pelo corpo. Há tratamento para a doença pelo SUS.
HPV
O papilomavírus é transmitido pelo sexo e agente do HPV, que tem mais de 200 variações. O principal sintoma o aparecimento de verrugas nos órgãos sexuais, no ânus, colo do útero e boca, mas é possível que ele não manifeste e o vírus fique encubado.
O principal risco da doença é ela ser a principal motivadora para o câncer no colo do útero, garganta e no ânus, já que na maior parte ele não é totalmente erradicado.
O exame preventivo de mulheres e vacinas para crianças e adolescentes ajudam a prevenir e detectar a doença.
Gonorreia
A bactéria Neisseria gonorrhoeae que causa uma infecção na uretra. Ela se pronuncia com dor e ardência ao urinar, sangramento e corrimento no local e o tratamento é feito com antibióticos. O parceiro também deve tomar os medicamentos, mesmo sem os sintomas.
Herpes genital
Com pequenas bolhas e lesões na área genital, com coceira, dor ao urinar e febre, a herpes é transmitida pelo sexo. Não há cura e o tratamento apenas ameniza os sintomas, que poderão surgir em vários momentos da vida.
Hepatite B ou C
A hepatite B é transmitida pelo sexo, transfusão ou contato com o sangue. Já a C, a transmissão por sexo é rara, mas é uma possibilidade. A previsão é de que há mais pessoas portadoras do vírus sem saber do que conscientes.
Os sintomas podem incluir inchaços, enjoo, cansaço, tontura e olhos amarelados, podendo desenvolver cirrose e câncer. O SUS distribui vacinação gratuita contra hepatite B.
Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como ginecologista e obstetra em São Paulo.
